
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) veio a público esclarecer e desmentir, de forma categórica, os conteúdos que circulam nas redes sociais sobre um suposto desaparecimento de órgãos genitais, fenómeno que tem gerado pânico e actos de violência em várias províncias do país.
Em nota oficial divulgada recentemente, o SIC considera falsas todas as informações, vídeos e demais conteúdos partilhados nas plataformas digitais que associam cidadãos angolanos e da República Democrática do Congo (RDC) à prática de alegados “desaparecimentos” de órgãos genitais por meio de toque.
Segundo a instituição, as informações em circulação “não possuem qualquer fundamento técnico ou científico”. Para averiguar os casos denunciados, a Direcção de Medicina Legal do SIC submeteu os supostos afectados a exames clínicos especializados, realizados por diversas equipas médicas nas províncias do Moxico, Lunda-Norte, Lunda-Sul, Huambo e Luanda.
Os resultados, conforme esclarece o órgão, indicam que os cidadãos examinados não apresentaram qualquer anomalia física nos órgãos referidos, reforçando assim a inexistência de evidências que sustentem os rumores difundidos.
Entretanto, o SIC alerta que a propagação desta falsa informação tem desencadeado episódios graves de violência contra cidadãos acusados injustamente, incluindo agressões físicas, tentativas de linchamento e até mortes. Um dos casos mais graves resultou na morte de um cidadão na província da Lunda-Norte.
Face à situação, o Serviço de Investigação Criminal advertiu que os indivíduos envolvidos na disseminação de conteúdos falsos ou em actos de violência relacionados com esta polémica serão responsabilizados criminalmente. Até ao momento, pelo menos 17 pessoas já foram detidas no âmbito destes acontecimentos.
O SIC apela à serenidade da população e recomenda maior responsabilidade no consumo e partilha de informações nas redes sociais, sublinhando que a desinformação pode fomentar a insegurança e comprometer a ordem pública.