
A informação de que a Bélgica absorve cerca de 25 por cento dos diamantes produzidos em Angola volta a colocar em evidência o debate sobre a necessidade de aumentar a transformação local dos recursos minerais e ampliar os benefícios económicos da cadeia diamantífera no país.
A constatação foi feita pelo embaixador da Bélgica em Angola, Stéphane Doppagne, durante uma visita de trabalho à província da Lunda-Sul, onde destacou a posição do seu país como principal comprador dos diamantes angolanos e manifestou interesse em ampliar as relações comerciais entre as duas nações.
Mais do que os números das exportações, a visita trouxe à discussão as perspectivas de investimento em unidades de lapidação e transformação de diamantes, um sector considerado estratégico para a criação de emprego qualificado e retenção de maior valor acrescentado no território nacional.
Durante a deslocação às minas de Catoca e do Luele, o diplomata belga tomou contacto com o funcionamento das operações mineiras e com os programas de responsabilidade social desenvolvidos pelas empresas, incluindo iniciativas habitacionais destinadas às comunidades vizinhas e acções de preservação ambiental.
Para especialistas do sector, o facto de mercados internacionais continuarem a absorver grande parte da produção diamantífera angolana demonstra a relevância dos recursos minerais do país no comércio global, mas também evidencia a necessidade de fortalecer a indústria transformadora nacional.
A abertura de novas fábricas de lapidação nas Lundas tem sido apontada como uma das vias para aumentar a participação de Angola nas fases mais lucrativas da cadeia de valor dos diamantes, reduzindo a dependência da exportação de pedras em bruto e impulsionando a geração de receitas internas.
O director-geral da Sociedade Mineira de Catoca, Pedro Galiano, defendeu igualmente o reforço dos mecanismos de transparência e rastreabilidade, factores considerados fundamentais para valorizar os diamantes naturais produzidos em Angola e consolidar a confiança dos mercados internacionais.
A visita do embaixador belga incluiu ainda um encontro com o governador da Lunda-Sul, Gildo Matias, durante o qual foram abordadas questões relacionadas com a cooperação económica, o desenvolvimento do sector diamantífero e as oportunidades de investimento em diferentes áreas da economia regional.
Num momento em que Angola procura diversificar a sua economia e aumentar o valor dos produtos exportados, o reforço da cooperação com parceiros internacionais poderá representar uma oportunidade para acelerar a industrialização do sector diamantífero e ampliar os benefícios da actividade mineira para as comunidades locais e para a economia nacional.