Especialista aponta agricultura como aposta estratégica para o futuro económico da Lunda-Norte

A necessidade de reduzir a dependência da economia regional da exploração diamantífera voltou a ganhar espaço no debate sobre o futuro económico da Lunda-Norte, com destaque para o potencial da agricultura como fonte de rendimento sustentável e de criação de emprego.

A reflexão foi apresentada pelo director provincial do GEPE, Mutombo Casmota (Mwene Mahamba), à margem da Reunião de Balanço Semestral da Produção de Diamantes, que decorre na província, onde responsáveis do subsector analisam o desempenho da actividade mineira e os desafios impostos pelo actual comportamento do mercado internacional.

Para o especialista, iniciativas como o projecto Endiagro, promovido pela ENDIAMA, podem representar uma oportunidade para transformar parte dos recursos gerados pela exploração mineral em actividades económicas renováveis, com capacidade de beneficiar as comunidades para além do período de exploração dos recursos não renováveis.

“A iniciativa da Endiagro consubstancia o imperativo de converter recursos finitos em riquezas renováveis através da exploração da terra e do investimento em actividades não extractivas”, defendeu Mutombo Casmota.

Na sua perspectiva, a diversificação económica deve assumir um papel estratégico na região Leste, sobretudo num contexto de dificuldades enfrentadas pelo subsector diamantífero e de redução do valor dos diamantes naturais no mercado internacional.

“O desenvolvimento socioeconómico da região Leste e de Angola está intrinsecamente ligado à implementação efectiva desta visão estratégica”, afirmou.

Dr. Casmota considera, entretanto, que o sucesso de iniciativas de diversificação dependerá também da participação efectiva da juventude local, defendendo a criação de condições para que os jovens possam integrar as diferentes etapas da cadeia produtiva.

Como exemplo de uma experiência que considera viável, citou a Cooperativa Nayuca, que desenvolve actividades desde o cultivo do milho até à sua transformação em farinha destinada ao mercado local.

Para o responsável, o fortalecimento das cadeias de valor locais deve priorizar, numa primeira fase, a capacidade de abastecer as comunidades e reduzir a dependência de produtos provenientes de outras regiões, antes de se avançar para mercados externos.

A posição surge durante a Reunião de Balanço Semestral da Produção de Diamantes, que reúne responsáveis do subsector para analisar os níveis de produção, a situação do mercado e os desafios que afectam a indústria diamantífera.

Apesar da aposta na diversificação, o especialista não defende o abandono da mineração, mas a utilização dos recursos gerados pelo sector para criar novas bases produtivas e ampliar as fontes de rendimento da região.

Para Mutombo Casmota, transformar recursos não renováveis em capacidade produtiva sustentável poderá contribuir para que a Lunda-Norte construa uma economia mais diversificada, com maior participação da juventude e benefícios mais duradouros para as comunidades.

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