DENÚNCIA SOBRE MORTES DE RECÉM-NASCIDOS GERA VERSÕES DIVERGENTES NO LUCAPA


Uma denúncia sobre a morte de recém-nascidos e alegadas falhas na assistência a parturientes está a gerar controvérsia no município de Lucapa, província da Lunda-Norte, com versões divergentes entre familiares e a Direcção do Hospital Municipal.

Segundo uma familiar de uma das mães, que falou ao Lesteangola, três recém-nascidos terão morrido durante acontecimentos registados na maternidade da unidade hospitalar.

De acordo com o relato, na madrugada em causa encontravam-se apenas duas profissionais de serviço. A fonte afirma que, durante o período nocturno, as portas da maternidade terão sido fechadas, deixando algumas grávidas sem assistência directa.

A familiar sustenta que as parturientes começaram a pedir socorro por volta da meia-noite e que algumas terão realizado o parto sem acompanhamento directo de profissionais de saúde.

Entre os casos relatados está o de uma mãe de primeira viagem, irmã da fonte, que, segundo o testemunho, terá realizado o parto sem assistência directa, tendo sido observada apenas horas depois.

A família afirma igualmente que uma das mães apresentou posteriormente um quadro considerado grave e foi transferida para uma unidade hospitalar no Dundo.

Hospital apresenta versão diferente

Contactada pelo Lesteangola, a Direcção do Hospital Municipal de Lucapa apresentou uma versão diferente dos acontecimentos e rejeitou a informação de que três recém-nascidos tenham morrido na unidade em consequência da actuação das profissionais.

Segundo a Direcção, apenas um dos casos correspondeu a um nascimento de nado-morto ocorrido no hospital, enquanto os outros dois casos mencionados nas redes sociais terão resultado de partos realizados fora da unidade sanitária.

A instituição explicou ainda que, no caso ocorrido no hospital, a gestante apresentava perda de líquido amniótico, apontando esta situação como uma das circunstâncias associadas ao comprometimento da vida do feto.

A Direcção rejeitou igualmente a existência de negligência médica e afirmou que as profissionais prestaram assistência à paciente.

O hospital informou que está a realizar uma averiguação interna para esclarecer as circunstâncias do caso e confirmou que profissionais da maternidade se encontram sob custódia das autoridades no âmbito do processo.

Caso aguarda esclarecimentos

Por outro lado, a família afirma que o caso já foi encaminhado às autoridades judiciais no Dundo e defende o apuramento de responsabilidades.

Até ao momento, permanecem divergências quanto ao número de óbitos relacionados com os acontecimentos e às circunstâncias em que ocorreram.

O Lesteangola procurará obter esclarecimentos junto das autoridades competentes para determinar o número de casos oficialmente registados, as causas das mortes e o estado do processo.

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