
A decisão de Angola de reduzir temporariamente a oferta de diamantes brutos de pequeno tamanho surge como uma estratégia para proteger o valor da produção nacional e contribuir para o equilíbrio do mercado internacional de gemas.
A medida foi anunciada pela Empresa Nacional de Diamantes de Angola (ENDIAMA), que prevê uma diminuição significativa da comercialização de pedras de menor dimensão provenientes das minas de Catoca e Luele nos próximos meses.
Segundo o director comercial da ENDIAMA, Elton Escrivão, a iniciativa visa evitar a saturação do mercado global, num momento em que o excesso de diamantes pequenos tem pressionado os preços e afectado a rentabilidade do sector.
A preocupação surge numa altura em que Angola consolida a sua posição entre os principais produtores mundiais de diamantes. Em 2025, as exportações angolanas cresceram de forma expressiva, atingindo 17,7 milhões de quilates, impulsionadas sobretudo pelo aumento da produção na mina do Luele.
Apesar do crescimento dos volumes exportados, o preço médio por quilate registou uma queda significativa, reflectindo a predominância de pedras de menor tamanho no mercado. Dados do sector indicam que o valor médio caiu para 102 dólares por quilate, representando uma redução de 29 por cento em comparação com períodos anteriores.
A entrada em funcionamento do projecto mineiro do Luele, considerada uma das maiores descobertas diamantíferas das últimas décadas, permitiu a Angola ascender ao terceiro lugar entre os maiores produtores mundiais. Contudo, o aumento da oferta global trouxe novos desafios para a indústria, que procura recuperar os níveis de valorização das pedras naturais.
A ENDIAMA admite que a suspensão poderá ser prolongada caso as condições do mercado assim o exijam, reforçando o compromisso de Angola com a estabilidade e sustentabilidade do sector diamantífero internacional.
Especialistas consideram que a medida poderá contribuir para uma melhor gestão da oferta, favorecendo a recuperação dos preços e a valorização da produção nacional num mercado cada vez mais competitivo.