
A Miss Mussungue escolheu a fuga à paternidade como tema do seu projecto social, numa iniciativa que pretende chamar a atenção para os impactos da ausência paterna na vida das crianças, das mães e das famílias.
Em entrevista ao Lesteangola, a Miss Mussungue explicou que a escolha do tema resulta da realidade que observa no município e noutras comunidades, onde, segundo afirmou, muitas crianças crescem sem referências paternas e enfrentam dificuldades emocionais e financeiras.
“Como Miss Mussungue, sinto a responsabilidade de usar a minha voz para dar visibilidade a este problema e procurar soluções”, afirmou.
Falta de maturidade entre as principais causas
Na sua perspectiva, a fuga à paternidade resulta de vários factores, entre os quais apontou a falta de maturidade, a insuficiente preparação para o exercício da paternidade e o receio das responsabilidades financeiras.
A Miss Mussungue considera igualmente que alguns homens cresceram sem uma referência paterna adequada, o que pode contribuir para uma percepção limitada sobre o verdadeiro papel de um pai.
Para a responsável, ser pai não deve ser entendido apenas como uma questão financeira, mas também como presença, afecto, orientação e participação activa na vida dos filhos.
Ausência paterna pode afectar desenvolvimento das crianças
A Miss Mussungue alerta que a ausência do pai pode contribuir para problemas emocionais e sociais, incluindo baixa autoestima, dificuldades escolares, ansiedade e sentimentos de revolta.
Acrescentou que, em determinados casos, a falta de acompanhamento e orientação pode levar crianças e adolescentes a procurar referências em ambientes ou caminhos considerados inadequados.
A situação também pode representar uma sobrecarga para as mães, sobretudo quando assumem sozinhas as responsabilidades financeiras e educativas dos filhos.
Projecto prevê palestras, campanhas e apoio às famílias
Para enfrentar o problema, a Miss Mussungue pretende desenvolver palestras nas escolas e nos bairros, rodas de conversa com jovens e homens e campanhas de sensibilização nas redes sociais.
A iniciativa prevê ainda a criação de parcerias com psicólogos e líderes comunitários, bem como campanhas porta-a-porta e uma marcha de sensibilização no município do Mussungue.
Outro dos objectivos passa pela criação de um grupo de apoio às mães que criam os filhos sozinhas e pela identificação e encaminhamento de casos que necessitem de acompanhamento jurídico e psicológico.
“A ideia é mostrar que ser pai é um orgulho e não um peso”, destacou.
A iniciativa não será direccionada exclusivamente aos homens. Segundo a Miss Mussungue, o projecto pretende envolver mães, jovens, escolas, igrejas, autoridades locais, associações e outros membros da comunidade, por considerar que a prevenção da fuga à paternidade exige uma responsabilidade colectiva.
“Nunca é tarde para recomeçar”
Dirigindo-se aos homens que não assumem actualmente as suas responsabilidades parentais, a Miss Mussungue deixou uma mensagem de apelo à reconciliação e ao exercício responsável da paternidade.
“Nunca é tarde para recomeçar. O teu filho não te esqueceu. Mesmo que tenhas falhado, o importante é dar o primeiro passo, aparecer, conversar e assumir. Ser pai é um privilégio e o teu filho precisa de ti.”
Às crianças que enfrentam a ausência paterna, deixou igualmente uma mensagem de encorajamento:
“Vocês são amadas e valem muito. A ausência de uma pessoa não define quem vocês são.”
A Miss Mussungue apelou ainda às famílias para que procurem apoio, permaneçam unidas e reforcem junto das crianças a importância do seu valor e dignidade.