ESCASSEZ DE ÁGUA NA PERIFERIA DO LUENA AGRAVA DESPESAS E PREOCUPA MORADORES

A escassez de água potável continua a afectar centenas de famílias em bairros periféricos da cidade do Luena, na província do Moxico, onde moradores denunciam dificuldades no acesso ao abastecimento público e elevados custos para assegurar um recurso essencial no dia-a-dia.

Nos bairros Alto Campo, 4 de Fevereiro, Alto Luena e Sambuatama, muitas famílias afirmam depender exclusivamente da compra de água fornecida por camiões-cisterna ou adquirida junto de vizinhos que possuem sistemas próprios de perfuração.

A situação tem agravado o peso financeiro sobre os agregados familiares, obrigados a destinar parte significativa dos seus rendimentos para garantir água destinada ao consumo, higiene e outras necessidades domésticas.

Morador do bairro Alto Campo há cerca de dez anos, Zaqueu Martins, de 42 anos, conta que gasta mensalmente cerca de 15 mil kwanzas na compra de água.

“Vivemos muitas dificuldades para conseguir água. Somos obrigados a comprar diariamente para garantir as necessidades básicas da família”, lamentou.

No bairro 4 de Fevereiro, a cidadã Naquinta Rosa revelou desembolsar cerca de 400 kwanzas por dia apenas para assegurar a higiene doméstica.

Além do impacto económico, os moradores alertam para os riscos associados ao armazenamento prolongado da água, prática que pode comprometer a saúde pública, sobretudo em zonas sem condições adequadas de conservação.

Face às preocupações, o presidente do Conselho de Administração da Empresa Provincial de Águas e Saneamento (EPAS) no Moxico, Eurico Jorge, reconheceu que várias áreas da cidade continuam sem cobertura do sistema público de abastecimento.

Entre os bairros mais afectados, destacou Alto Campo, Canda, 4 de Fevereiro, Samalesso, 11 de Novembro, K5 e o complexo habitacional do 4 de Fevereiro.

Segundo o responsável, estão em carteira projectos destinados à melhoria do abastecimento de água nessas localidades, com financiamento do Banco Europeu de Investimentos (BEI), embora ainda sem datas definidas para o arranque das obras.

Entretanto, decorre o processo de licenciamento para a construção de um novo centro de distribuição de água na zona norte do Luena, infraestrutura que deverá igualmente abastecer o futuro Hospital Militar Regional, actualmente em construção.

O novo sistema, segundo a EPAS, será interligado à rede já existente através de uma conduta de oito quilómetros, ligando o centro de distribuição do bairro Tchifutchi à nova central, com previsão de um reservatório capaz de armazenar até dois mil metros cúbicos por hora e permitir cerca de 10 mil novas ligações domiciliares.

Enquanto aguardam pela concretização dos projectos anunciados, os moradores apelam a uma resposta urgente das autoridades para pôr fim às dificuldades enfrentadas diariamente no acesso à água potável.

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